Projeto libera 1,5 mi de m² na Lapa

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Domingo, 10 de Agosto de 2008 | Versão Impressa
Projeto libera 1,5 mi de m² na Lapa
Diego Zanchetta e Vitor Hugo Brandalise

O Conselho do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp) coloca em votação na terça-feira um projeto que exclui do processo de tombamento 21 imóveis na região da Lapa, zona oeste da capital. Se aprovada, a proposta "descongela" 1,5 milhão de metros quadrados.

A maior parte dos galpões e casarões é da primeira metade do século passado. Esses imóveis têm valor histórico contestado por especialistas e pela própria Secretaria Municipal de Cultura. As edificações entraram em processo de tombamento na revisão do Plano Diretor, em 2004. Na lista estão, por exemplo, os galpões das Ruas Faustolo e Coroados.

Para o secretário de Cultura, Carlos Augusto Calil, a interrupção no tombamento ajudará no desenvolvimento da região. "Com certeza o local será valorizado. O essencial deve ser preservado, mas não se pode imobilizar a cidade", afirma. "Cada bairro tem sua própria dinâmica e isso é levado em conta quando os técnicos analisam os processos."

"Nunca houve a intenção de tombar esses imóveis na Lapa. A maioria deles não tem valor histórico. O que ocorreu foi que a Lei de Zoneamento de 2004 os incluiu automaticamente em processo de tombamento." Na época, a Subprefeitura da Lapa foi a que mais indicou imóveis para preservação no Município - 51 ao todo.

A exclusão do tombamento é aguardada com ansiedade pelo mercado imobiliário. Isso porque o plano do governo municipal com a Operação Urbana Vila Leopoldina-Jaguaré é levar mais 175 mil moradores à região degradada da Lapa - hoje ocupada por prédios abandonados às margens da linha férrea usada pela empresa de cargas MRS e pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Atualmente, a Lapa ocupa apenas a 50º posição entre os bairros que se valorizaram na capital nos últimos dez anos, atrás dos vizinhos Jaguaré (1º lugar), Perdizes (29º) e Pompéia (35º).

"Tombar por tombar, sem dar uma finalidade cultural ao bem, é erro. Não podemos tombar áreas e transformar bairros em cidades fantasmas", afirma João Crestana, do Sindicato da Habitação (Secovi), entidade que representa as principais empreiteiras da capital. A reurbanização da parte baixa da Lapa é defendida também por urbanistas como Cândido Malta e Vasco de Mello - representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) no Conpresp. "Não só a reurbanização é possível, como o espaço da linha férrea que passa ali permite um projeto de linha do metrô de superfície", defende Malta.

Mello considera que bem tombado sem conservação só deteriora uma região como a Lapa. "Para tombar, é necessário um estudo que mostre o potencial de utilização." Até Walter Pires, diretor do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), aprova a liberação daquela área. "Não há justificativa histórica para preservar."

* COMENTÁRIOS

dúvida

Dom 10/08/08 19h05 Anônimo

Fico impressionado com a autoridade que quase todas as pessoas nessa reportagem tem para dizer o que é ou não é patrimônio histórico. Em um pais desmemoreado como o Brasil, onde o passado decididamente não serve para construir o futuro, onde não existe referência, onde a maior obra de referência da lingua, o dicionário, é chamado de pai dos burros, enfim, nesse pais que a gente conhece tão bem (será?), acredito que as pessoas deveriam ser mais cautelosas ao afirmar que um bem tem ou não valor histórico. Especialmente quando essa afirmação surge do interesse de um grupo de investimentos e negócios faminto por novas oportunidades. Outra questão interessante, desde quando tornar uma região um mar de prédios frios é revitalizar, trazer VIDA! hehe, que piada, o que o ser humano não faz por um trocado a mais... lamentável... (Mantenho o anonimato pois não confio na moral e na ética dos amantes da liberdade nessa país)

para complementar...

Samba!

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Terça-Feira, 12 de Agosto de 2008 | Versão Impressa

''Brasil tem o que outros países querem''

Empresário diz que o mercado de imóveis brasileiros hoje é mais dinâmico até do que o da China

Patrícia Cançado
Dez minutos de conversa com o americano John Cushman - presidente do Conselho da Cushman & Wakefield, empresa de serviços imobiliários criada por seu avô e seu tio-avô em 1917 - são suficientes para notar seu encantamento pelo Brasil. Ele finalmente conheceu as sandálias Havaianas e achou o trânsito de São Paulo menos pior que o de Los Angeles, cidade onde vive. Mas seus olhos estão desviados mesmo para as estatísticas, que fazem do Brasil e da Índia os dois mercados prioritários para a Cushman neste ano. "O Brasil é o único lugar do mundo onde somos maiores que os nossos dois principais concorrentes juntos", disse Cushman, em sua primeira visita ao País.

Por que apostar no Brasil?

A razão é muito simples. O Brasil é uma peça muito importante na nossa estratégia global e parte importante do faturamento. O País tem três mil funcionários, de um total de 15 mil. Temos sob nossa administração quase 10 milhões de metros quadrados. É extraordinário. Em Nova York são 5,5 milhões. É o único lugar do mundo onde somos maiores do que nossos dois principais concorrentes juntos. Para nós, está havendo uma tremenda mudança no consumo e isso significa que o mercado de varejo e de shoppings serão peças importantes na estratégia do mercado imobiliário.

E a China?

O crescimento na China está caindo. Todos os grandes países têm tido taxas de crescimento significantes. Mas não há muitos lugares onde crescemos como no Brasil e na Índia. Esse tipo de coisa nos dá uma margem para expandirmos nossos serviços no País.

Mas o mercado de São Paulo e do Rio é totalmente diferente do resto do País.

Nos segmentos industrial, varejo e residencial não é diferente. Hoje, mais de 50% dos novos projetos imobiliários estão fora de São Paulo e Rio. Apenas o mercado de escritórios está altamente concentrado em São Paulo. O Brasil tem 200 cidades com mais de 100 mil habitantes. Você não encontra tantos países com essa situação.

Como o grau de investimento já mudou ou vai mudar o mercado?

Está mudando o tempo todo. Com o crescimento da classe média e maior foco das multinacionais no Brasil, você tem situações como a do Rio - um imenso crescimento de novos imóveis cuja taxa de vacância é baixa, puxada pelo setor de energia. O Brasil tem muitas coisas que o resto do mundo quer: recursos naturais, grande população, grande território. O Brasil é outro mundo.

As pessoas costumam comparar o mercado imobiliário brasileiro ao mexicano. O sr.- acredita que hoje há mais oportunidades aqui do que no México?

O Brasil tem mais gente, mais espaço de escritórios. Nós somos ativos no México. Mas o Brasil é muito menos dependente que o México do comércio internacional. O maior parceiro do México são os EUA. O Brasil tem muitos parceiros em muitos lugares. Vocês têm, como o México, muitos recursos naturais. O setor de energia é a grande peça do quebra-cabeça, dando a vocês crescimento continuado. Isso vai fazer grande diferença. Agora, é preciso olhar também para as coisas desafiadoras. Se a classe média está crescendo, mais pessoas vão comprar automóveis. E esses automóveis vão para a rua e vocês terão mais problemas de trânsito. Eu moro em Los Angeles, onde o tráfego é horrível na hora do rush.

É pior do que em São Paulo?

Eu diria que é pior em Los Angeles. Mas é porque é uma questão de infra-estrutura. Você precisa construir mais pontes e vias. E eles não estão fazendo isso onde moro. É por isso que tem mais helicópteros per capita do que em qualquer outro lugar do mundo.

Como a crise do subprime afetou o seu negócio?

Estou nesse negócio há muitos anos e já vi o ciclo do mercado imobiliário subir e descer. Esse ciclo é mais complexo, porque afetou a economia como um todo. Mais más notícias ainda virão. Brasil, Ásia e América Latina também foram afetados, mas estavam muito mais isolados da crise. O subprime é como uma longa sombra ao redor do mundo.

Como afetou vocês?

Esse é um mercado de margens altas e elas caíram como uma rocha para todas as empresas. Algumas sofreram mais que as outras. Ficou muito mais difícil pegar empréstimos. Nós costumávamos pegar empréstimos de bilhões de dólares em algumas semanas. Vai ser um grande desafio saber como o mercado vai financiar os projetos.

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