Muito perigoso. Falam "É claro que qualidade total nesse âmbito implica respeito incondicional aos Direitos Humanos. A sociedade está cansada de saber sobre a situação dos moradores de rua. Denunciar sem propor uma solução para o problema não dá mais. A Aliança surgiu exatamente para modificar esse tipo de imobilismo* e temos certeza de que terá sucesso." e de outro lado glorificam e promovem tudo que há de novo em termos de repressão (como as "novidades" trazidas da Nova Yorque pela GCM). Sentar num mesa de negociação com esta gente, como proposta pelo Ministério Público ontem, vai ser foda...
O fato novo é que a AVC, com o lançamento desta sua aliança e a defesa que faz dela, está a admitir a existência de uma outra "sociedade civil" que não aquela que diz representar. Em vez de negar sua existência, como costumava fazer, agora publica notas à imprensa, "dialogando" do jeito dela ("A Associação Viva o Centro considera importante que todas as entidades e organizações da sociedade civil, cada qual em sua área de especialização, participem desse esforço coletivo"). Agora, há de se perguntar o por quê desta nova postura. Fora os argumentos que foi lançada num ano de eleições (como destacou a folha), esta aliança vem imbutida com uma nova 'política' - nada pública - expansionista ("A Aliança é de todos!") e se prepara para engolir o que vem na sua frente (como os "imóveis" de origem humana). Temos trabalho pra frente para entender o papel do Ministério Público, que - dando nome aos bois e sem criar falsas expectativas - só em raros casos foi nosso 'aliado'.
* Imobilismo (Houaiss): substantivo masculino
1 repúdio ao progresso; apego às tradições
2 política ou atitude de extremo conservadorismo
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http://www.vivaocentro.org.br/noticias/arquivo/280708_d_infonline.htm
28/07/08
Viva o Centro: respeito aos Direitos Humanos é parte essencial da Aliança
Uma passeata intitulada "Ato Público pela Humanização do Centro Histórico" foi promovida no Centro de São Paulo, na manhã desta segunda-feira (28/7), por entidades ligadas a movimentos sociais. O ato protestava contra supostos maus tratos sofridos por moradores de rua, questionando aspectos do programa Aliança pelo Centro Histórico, especialmente sua proposta de "qualidade total nos quesitos zeladoria urbana e controle da ocupação irregular do espaço público".
A Aliança pelo Centro Histórico – parceria entre Prefeitura, Governo do Estado e Associação Viva o Centro –, cujos passos preliminares para a implantação tiveram início há menos de um mês na área do Triângulo Histórico (Praça da Sé e largos São Bento e São Francisco) objetiva dar qualidade total aos serviços públicos, inclusive e principalmente aos de promoção social.
Na sexta-feira (25/7), em resposta à Carta Aberta divulgada na ocasião pelos promotores da passeata, a Viva o Centro publicou neste site uma nota de esclarecimento sobre a Aliança. Nessa nota, a Associação afirma que "a Aliança é pela plena superação de todos os problemas sociais com atendimento efetivo a todos que se encontram em situação de rua, para que possam deixar o mais cedo possível essa condição vulnerável, que os sujeita a toda sorte de violência, conquistando sua autonomia".
Em sua nota, a Viva o Centro coloca a Aliança acima de quaisquer interesses, "pela preservação da vida e segurança de todas as pessoas." E, por fim, considera importante que "todas as entidades e organizações da sociedade civil, cada qual em sua área de especialização, participem desse esforço coletivo". Clique aqui para ver a íntegra.
O superintendente da Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida, observa que se a promoção social estivesse 100%, não teria sentido pedir qualidade total e a Aliança não precisaria lhe dar tanta ênfase. "É claro que qualidade total nesse âmbito implica respeito incondicional aos Direitos Humanos. A sociedade está cansada de saber sobre a situação dos moradores de rua. Denunciar sem propor uma solução para o problema não dá mais. A Aliança surgiu exatamente para modificar esse tipo de imobilismo e temos certeza de que terá sucesso."
e mais da lista
Trecho extremamente relevante! Parabéns!
Coincidências relativas, poemas, remexidas em baús, tudo serve para resgatar a nossa memória e fortalecer nossa consciência, como armas contra aqueles que se acham no - seu - direito 'histórico' de mandar na gente, aqui no Centro.
e mais debate
Coincidência relativa, reli um livro da Marilena Chauí esses dias, e há um trecho que pode ajudar nesse debate, sobre as contradições que de vez em quando o FCV tem que se deparar.
É na parte conclusiva do livro, depois de fazer toda a construção dos grandes chavões do orgulho de pertencer à nação brasileira, reflexo da construção histórica de um mito do Brasil como nação, sempre adequando-se às necessidades da manutenção dos privilégios das elites.
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“Realizando práticas alicerçadas em ideologias de longa data, como as do nacionalismo militante apoiado no “caráter nacional” ou na “identidade nacional”, que mencionamos anteriormente, somos uma formação social que desenvolve ações e imagens com força suficiente para bloquear o trabalho dos conflitos e das contradições sociais, econômicas e políticas,uma vez que conflitos e contradições negam a imagem da boa sociedade indivisa, pacífica e ordeira. Isso não significa que conflitos e contradições sejam ignorados, e sim que recebem uma significação precisa: são sinônimo de perigo, crise, desordem e a eles se oferece como resposta única a repressão policial e militar, para as camadas populares, e o desprezo condescendente, para os opositores em geral. Em suma, a sociedade auto-organizada, que expõe conflitos e contradições, é claramente percebida como perigosa para o Estado (pos este é oligárquico) e para funcionamento “racional” do mercado (pois este só pode operar graças ao ocultamento da divisão social). Em outras palavras, a classe dominante brasileira é altamente eficaz para bloquear a esfera pública das ações sociais e da opinião como expressão dos interesses e dos direitos de grupos e classes sociais diferenciados e/ou antagônicos. Esse bloqueio não é um vazio ou uma ausência, isto é, uma ignorância quanto ao funcionamento republicano e democrático, e sim um conjunto positivo de ações determinadas que traduzem uma maneira também determinada de lidar com a esfera da opinião: de um lado, os mass media monopolizam a informação, e, de outro, o discurso do poder define o consenso como unanimidade, de sorte que a discordância é posta como perigo, atraso ou obstinação vazia”.
CHAUÍ, Marilena. Brasil, mito fundador e sociedade autoritária. São Paulo, Fundação Perseu Abramo, 2000, p.91.
em lista...
Discordando de alguns eu acho que a ofensiva de denunciar a violência
com os moradores de rua e seus agentes foi um imenso sucesso. Apesar
da mídia aproveitar para requentar as notícias sobre o padre Julio
(eles ficam como abutres sobre a carniça mesmo após o reconhecimento
de que ele foi réu) a manifestação criativa que colocou os pingos nos
iis (e também a carta ao Painel do Leitor escrita anteriormente),
constrangeu alguns e mostrou alguma resistência organizada. Não há
lugar para igenuidade. Ninguém afirma aquilo que não quer afirmar (ou
mente, se quisermos usar a poesia abaixo) senão quando é constrangido
a fazê-lo. A contradição entre discurso e prática é meio fértil para a
militância dos direitos humanos. Nesse caso aposto mais em avançar. Ir
para o gueto, o isolamento, a invisibilidade, não é bom o que não
significa que é preciso fazer parcerias com quem não é parceiro.
mais em lista....
"supostos (????) maus tratos sofridos por moradores de rua"
"a Associação afirma que “a Aliança é pela plena superação de todos os problemas sociais com atendimento efetivo a todos que se encontram em situação de rua, para que possam deixar o mais cedo possível essa condição vulnerável, que os sujeita a toda sorte de violência, conquistando sua autonomia”. "
"respeito incondicional aos Direitos Humanos"
e vale a pena relembrar: "Gente Estúpida"
Nos barracos da cidade
Ninguém mais tem ilusão
No poder da autoridade
De tomar a decisão
E o poder da autoridade
Se pode não faz questão
Mas se faz questão nao consegue enfrentar o tubarão
Gente estúpida!
Gente hipócrita!
Nos barracos da cidade
Ninguém mais tem ilusão
No poder da autoridade
De tomar a decisão
E o poder da autoridade
Se pode não faz questão
Só fode a população
O governador promete mas não toma decisão
Os lucros são muito poucos ninguém quer abrir mão
Uma parte pequena já seria a solução
Mas no barraco tá faltando feijão
E o governador promete
Só promete na eleição
Mas o sistema diz não
Os lucros são muito grandes e ninguém quer abrir mão
E mesmo uma pequena parte já seria a solução
Mas a launzura dessa gente já virou um aleijão
Gente estúpida!
Gente hipócrita!
Alô policia federal
Vamo prender o juiz lalau
Todos os lalaus
Vamo acreditar na vitória do bem sobre o mau
Alô presidente
Vamo parar de abafar as CPIs
Vamo acabar com a corrupção e a impunidade nesse país
Vamo fazer o povão mais feliz
Cade o dinheiro do trabalhador?
Cade o dinheiro do professor?
Do médico, doutor?
Alô vossa excelência
Já perdi a paciência
Procuradoria geral da república
Vamo parar de arquivar processo de gente importante
Quem procura acha
Mas é pra procurar
Gente estúpida!
Gente estúpida!
Gente hipócrita!
Gente estúpida!
Gente hipócrita!
leiam todos os comentários que vale a pena...
"mentem com a cara limpa, e nas mãos o sangue quente." (ARS)
eles são cínicos, mentirosos, e isso não mais surpreende.
mas que ainda revolta, revolta.
rodrigo
ps.: poema abaixo em homenagem a notícia/mentira
A IMPLOSÃO DA MENTIRA
Affonso Romano de Sant' Anna
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem.Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Fragmento 2
Evidente/mente a crer
nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo
permanente.
Mentem. Mentem caricatural-
mente:
Mentem como a careca
mente ao pente,
mentem como a dentadura
mente ao dente,
mentem como a carroça
à besta em frente,
mentem como a doença
ao doente,
mentem clara/mente
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
com a cara limpa e nas mãos
o sangue quente. Mentem
ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre.Mentem
fabulosa/mente como o caçador que quer passar
gato por lebre.E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrial?mente,
mente partidária?mente,
mente incivil?mente,
mente tropical?mente,
mente incontinente?mente,
mente hereditária?mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país
de mentira
—diária/mente.
(...)
vale a pena acompanhar os comentarios
Você está certa, está na hora de repensarmos nossa atuação, pensar em estratégias diferentes (que faremos na próxima 6a, certo?). O que não podemos fazer é confundir nossa boa vontade e nossa força internas e desperdiça-as num 'dialogo' com essa aliança do mal. Precisamos ter plena consciência 'histórica' de quem são eles que cinicamente insistem em mentir. Para não criar expectativas falsas.
Rodrigo citou - muito oportuno - um poema de Affonso Romano de Sant' Anna, num email aqui em baixo; "mentem com a cara limpa, e nas mãos o sangue quente.".
Temos motivos "históricos" para NÃO confiar nas boas intensões desta "Aliança pelo Centro Histórico", mesmo que seu mentor, a AVC na pessoa de seu presidente executivo, possa ter ficado constrangida (será?) pelo fato de termos colocado em exposição pública - na carta aberta como no ato - seus parceiros 'privé' - que foi uma boa jogada nossa!
Tampouco temos boas experiências com a atuação do Ministério Público em defesa das reivindicações dos movimentos populares. Pra começar, pela total promiscuidade entre ele e os poderes executivos municipal e estadual, nos últimos anos um conclave que age em estreito conjunto. Só lembrando que o atual secretário da Smads é (ou era) procurador e colega íntimo do procurador encarregado de nós atender na questão do centro (e não abriu boca na audiência no final do ato).
Para completar: o elo com a máfia imobiliária. O responsável dentro da Associação Viva o Centro pela implementação da "Aliança pelo Centro Histérico", pula igual pulga, da Viva o Centro pro Executivo e vice versa - http://www.vivaocentro.org.br/noticias/arquivo/infonline310105b.htm - para fazer coro com Orlando, Matarazzo, Kassab e outras figuras no executivo (sem falar dos legislativos municipal e estadual), diretamente ligadas à indústria e ao mercado imobiliários.
Ou seja, não há ente maior que nós mesmos/as pra nos proteger contra a maldade alheia. Para tirar uma expressão do baú: é luta de classe.
Falando em baú: anexo um texto de 2001, que - depois de muita negociação - foi publicado no URBS, revista da AVC.
em lista
fiquei sensibilizada com o que escreveu...
Só para esclarecer: fomos nós que pedimos ao Ministério Público a abertura deste diálogo.
Vai ser difìcel mesmo esta conversa! Estamos muito indignados pela falta de sensibilidade, violação de direitos e pelos atos agressivos.
Ando pensando com meus botões se não seria bom termos um mediador de conflitos para nos ajudar neste diálogo.
É outra lógica. Hamilton da Cultura da Paz do Instituto Polis talvez possa nos orientar. Existem técnicas para isso.
O papel do mediador não é julgar, nem encaminhar acordos, ele só ajuda na comunicação. O partido da conversa é investigar o que temos em comum. E temos mesmo, só não concordamos com os métodos.
Todos nós, Aliança pela vida e Aliança pelo Centro Histórico, não queremos que existam moradores de rua, não queremos violência (eles não vão admitir que querem!) e queremos uma cidade que a gente possa se orgulhar.
Como fazer isso? Aí começa a negociação. Parar a violência é o primeiro ponto e acredito que os parceiros (bolsa e associações) vão ajudar por não quererem se envolver neste assunto pesado e ruim para imagem. No decorrer do diálogo outros acordos virão, a gente vai ter de ter muita calma e não desistir.
Estamos com uma discussão acumulada muito boa para politicas públicas para população de rua pelo ciclo de debates que vem ocorrendo. Acredito que temos a oportunidade de tentar fazer negociações de um jeito diferente.
O que mais temos é que a gente fique eternamente se debatendo num ciculo vicioso: atos e mais atos, violência e mais violência.
Vamos pensar numa estratégia diferente?
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