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A disputa pelo centro histórico de São Paulo está aquecendo. O espaço público central, conhecido pelo movimento intenso de pessoas durante o dia, funciona por um lado como espaço de comércio informal (camelôs) e fonte de materiais recicláveis (catadores); por outro lado como espaço de turismo, espetáculo e cultura, além de espaço para atrair investimentos.
Existe um forte desequilíbrio entre essas funções. As primeiras dominam hoje na região, e as segundas estão sendo promovidas pela elite por meio de vários programas de revitalização urbana, por exemplo na região da Luz e no Parque Dom Pedro II. O mais novo é a Aliança pelo Centro Histórico, uma aliança da prefeitura, o estado de São Paulo, associação Viva o Centro e a iniciativa privada (por exemplo a Bovespa). Objetivo do projeto é "limpar" o triângulo histórico da cidade, entre a Praça da Sé e os Largos de São Bento e São Fransisco, incluindo assim o Pátio do Colégio e a Praça do Patriarca.
A ação, que depois se espalhará pelo centro todo (Sé e República) prevê vigilância, limpeza de ruas, retirada dos camelôs, iluminação pública e encaminhamento de mendigos para assistência social e albuergues na região.
Movimentos sociais, cooperativas de reciclagem e camelôs temem a expulsão de trabalhadores informais, moradores de rua e catadores da área e estudam contra-ações e medidas legais para contestar o projeto.
Foto Merten Nefs
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SP faz parceria para banir mendigos e camelôs do centro - texto do jornal Folha de S.Paulo
Prefeitura afirma que moradores de rua serão convidados a se mudar para albergues; projeto é lançado em ano eleitoral
Programa compreende as regiões dos largos de São Bento e São Francisco, as praças da Sé e do Patriarca, e o Pátio do Colégio
VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DA REPORTAGEM LOCAL
Em ano de eleições municipais, a prefeitura, em parceria com o governo do Estado e a iniciativa privada, lança um novo plano de revitalização e ocupação do centro que pretende banir o lixo, a violência, os camelôs, os mendigos e os moradores de rua.
Batizado de Aliança pelo Centro Histórico, o programa abrange o chamado triângulo histórico: os largos de São Bento e São Francisco, as praças da Sé e do Patriarca e o Pátio do Colégio. É a cidade de São Paulo tal como era em 1810, uma área de meio quilômetro quadrado que, hoje, equivale a apenas 2% da jurisdição da Subprefeitura da Sé.
"Apesar de ser pequena, é uma área crítica. O intuito não é criar coisas novas, mas cuidar bem do que já existe", diz Marco Antônio Ramos de Almeida, superintendente da ONG Associação Viva o Centro, um dos parceiros do projeto, que deve custar ao menos R$ 1 milhão por ano à instituição.
Segundo a organização, entre 45 e 60 dias antes das eleições, não haverá lixo nas ruas nem lâmpadas queimadas nem calçamento solto ou buracos.
Mendigos e moradores de rua serão convidados a se mudar para albergues, e entidades assistenciais que servem refeições serão orientadas a levá-los "a comer em locais com higiene mais adequada".
"Não é a retirada [dos mendigos]. É simplesmente não abandonar essas pessoas, é procurar encaminhá-las para tratamento. Não é tirar daqui, e, sim, organizar", afirma o secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo.
"Vai dar trabalho, mas é um convencimento que precisa ser redobrado", diz Almeida.
Assistentes sociais
Segundo Matarazzo, a prefeitura pretende aumentar o número de assistentes sociais na região para atrair os mendigos aos albergues e criou a coordenadoria da população de rua. "No tratamento, abre-se um horizonte até para trabalhar", completa o secretário.
Além da prefeitura, a medida tem apoio de empresas da região, como a BM&F Bovespa.
Para o coronel Álvaro Camilo, comandante do policiamento do centro, o comércio ambulante e a presença de camelôs promovem uma "desordem urbana que traz a criminalidade".
"Quando os policiais passam, não vêem a rua nem as lojas, tamanho é o número de camelôs. É um ambiente propício para o batedor de carteira", diz.
Transporte
Com circulação de 1,2 milhão de pessoas por dia, a região é fartamente servida de transporte público: além de três estações de metrô (São Bento, Sé e Anhangabaú), há conexões de ônibus em dois importantes terminais, o Bandeira, o parque dom Pedro 2º e o Pedro Lessa.
A região foi dividida em cinco microáreas, que serão monitoradas dia e noite por 20 agentes que informarão, em tempo real, os problemas do centro. Depois, a idéia é expandir a iniciativa para outras partes da cidade, como a praça da República.
Para o urbanista Gilberto Belleza, presidente do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), a revitalização passa pela ocupação e o uso residencial dos prédios, por meio de intervenções do poder público. "É preciso mais do que iniciativas. Elas precisam se concretizar", diz.
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