QUEREMOS UMA CIDADE LIMPA E UMA CONSCIÊNCIA SUJA?

Fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/07/425146.shtml

QUEREMOS UMA CIDADE LIMPA E UMA CONSCIÊNCIA SUJA?

Jul 25
Ato público pela humanização do centro histórico de São Paulo

Na próxima segunda-feira, dia 28/07, às 9h, na escadaria da Praça da Sé, acontece um ato de denúncia contra as ações higienistas e agressivas que vem sendo realizadas pela Prefeitura de São Paulo no centro desta cidade. O ato irá questionar os poderes públicos e suas entidades parceiras na operação batizada de "Aliança pelo Centro Histórico", com a entrega de um troféu simbólico.

Cidadãos que habitam as ruas do Centro e que tentam se proteger do frio deste inverno estão sendo desrespeitados e agredidos. A qualquer hora do dia ou da noite, suas roupas e cobertores são confiscados ou molhados pelos jatos d'água dos carros-pipa da prefeitura; são obrigados a fugir dos sprays de pimenta que são lançados por policiais diretamente em seus rostos. Tudo isso na véspera de se completarem quatro anos do massacre dos sete moradores de rua no centro de São Paulo.

Hoje, 25/07, foi publicada no Painel do Leitor da Folha de S. Paulo uma resposta dos integrantes do Fórum Centro Vivo à reportagem deste jornal sobre a operação "Aliança pelo Centro Histórico":

A reportagem "SP faz parceria para banir mendigos e camelôs do centro" (caderno Cotidiano, 10/6) equipara pessoas e lixo ao listar "lixo, violência, camelôs, mendigos e moradores de rua" como elementos a serem igualmente "banidos". O texto trata com preconceito e discriminação parte da população paulistana. Freqüente na mídia, essa visão reforça práticas de alguns órgãos públicos (e de seus parceiros privados) de varrer as pessoas do centro como se fossem literalmente lixo. As expressões utilizadas para caracterizar essas práticas, como "revitalização do centro", evidenciam o descaso pelos que ali vivem, e que são vítimas de violência constante, documentada no Dossiê Fórum Centro Vivo. O jornal erra ao não exibir opiniões diferentes às da "Aliança pelo Centro Histórico", ignorando pessoas, movimentos populares e entidades que lutam pelo direito da população de permanecer no centro e transformá-lo em um lugar melhor e mais democrático.*

*esta resposta foi parcialmente cortada pela Folha; aqui estamos publicando na íntegra.

Chamado para o ato

Leia o Dossiê "Violações dos direitos humanos no centro de São Paulo: propostas e reivindicações para políticas públicas", organizado pelo Fórum Centro Vivo

Os parceiros da prefeitura são:
o governo estadual, a Associação Viva o Centro e suas Ações Locais, bem como seus patrocinadores: BM&Fbovespa, Nossa Caixa, Associação dos Advogados de São Paulo e Associação Comercial de São Paulo

O ato está sendo convocado por:
Movimento Nacional da População de Rua, Movimento Estadual da População de Rua, Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Fórum das Organizações que Trabalham com a População em Situação de Rua, Sefras, Rede Rua, Fórum Centro Vivo, Fórum de Debates sobre a População em Situação de Rua, Organização de Auxilio Fraterno, Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, Programa Agente na Rua, GARMIC, CEDISP, União dos Movimentos de Moradia de São Paulo, Marcha Mundial de Mulheres, Executiva Municipal do PSOL, Ação da Cidadania, LAC Travessia, Centro Comunitário São Martinho de Lima, Fórum das Pastorais Sociais da Arquidiocese de São Paulo, Pastoral do Povo da Rua, Pastoral do Menor, Pastoral da Moradia, Cáritas Diocesana de São Paulo.

A carta do Fórum Centro Vivo para a Folha teve o apoio do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR); do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR); do Movimento Moradia do Centro (MMC); da Central de Movimentos Populares (CMP); do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos; da Organização de Auxílio Fraterno (OAF); do Serviço Franciscano de Solidariedade (SEFRAS); do Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da FAUUSP; da Assessoria Técnica Usina; da Associação de Moradores e Amigos da Vila Itororó (AMAVILA); do CMI São Paulo; do Movimento Passe Livre (MPL); da Associação de Favelas de São José dos Campos; do Grupo Risco; do P.I - política do impossível; e do Comitê pela Educação e Democratização da Informática - São Paulo (CEDISP); além de apoios individuais de urbanistas, sociólogos, artistas, advogados e moradores do Centro.
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Não pode faltar a versão da nossa velha - mas nem tanto! - conhecida GIRA.....

Fonte: http://girame.wordpress.com/
Consciência suja e bolsos cheios
Julho 26, 2008 by gira

Não à Violência! Participe da Aliança pela Vida!

Cidadãos que habitam as ruas do centro e que tentam se proteger do frio deste inverno estão sendo desrespeitados e agredidos. A qualquer hora do dia ou da noite, vêm suas roupas e cobertores confiscados ou molhados pelos jatos d´água dos carros-pipa da prefeitura, são obrigados a fugir dos sprays de pimenta que lhe são lançados por policiais diretamente em seus rostos.

Essa ação higienista não vê diferença entre o lixo ou os seres humanos, aos quais só restou a rua para viver. Sem um teto, sem trabalho, sem adequada política pública de atendimento social, estas pessoas, especialmente desde o dia 3 de julho, vêm sofrendo seguidos atos violentos. Tudo isto às vésperas dos 4 anos do massacre dos 7 moradores de rua no centro de São Paulo.

REPUDIAMOS a desumanidade de ações que buscam exibir uma cidade limpa, mas que agridem os cidadãos mais vulneráveis, sem sequer dialogar com aqueles comprometidos com a causa.

QUESTIONAMOS os parceiros da "Aliança pelo Centro Histórico": a prefeitura, o governo estadual, a Associação Viva o Centro e suas Ações Locais, bem como seus patrocinadores: BM&Fbovespa, Nossa Caixa, Associação dos Advogados de São Paulo e Associação Comercial de São Paulo:

O que esta violência tem a ver com a proposta da Aliança quando esta diz "qualidade total nos quesitos de zeladoria urbana" e "controle da ocupação irregular do espaço público"?

Solidariedade a outros trabalhadores paulistanos que também têm sido vítimas desta violência, como os catadores de materiais recicláveis e os ambulantes.

Solidariedade às crianças e adolescentes em situação de risco social e aos ocupantes de imóveis abandonados, de favelas e de cortiços, seguidamente desalojados por mero interesse de valorização imobiliária.

Solidariedade às pessoas de outras regiões desta e de outras cidades, de onde temos recebido depoimentos da mesma gravidade.

As organizações que trazem estas denúncias convidam a todos que se sensibilizam por esta causa a participarem da ALIANÇA PELA VIDA, e exigem:

. o fim imediato de todos os atos violentos e das ações de remoção e expulsão no centro de São Paulo!

. o fim da criminalização da pobreza!

. abertura de diálogo para a construção de programas sociais que apontem soluções conseqüentes para a população em situação de rua, adultos e crianças!

. o cumprimento da Lei Municipal 12.316 de Atenção à População de Rua.

São Paulo, julho de 2008.

Movimento Nacional da População de Rua, Movimento Estadual da População de Rua, Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Fórum das Organizações que Trabalham com a População em Situação de Rua, Sefras, Rede Rua, Fórum Centro Vivo, Fórum de Debates sobre a População em Situação de Rua, Organização de Auxilio Fraterno, Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, Programa Agente na Rua, GARMIC, CEDISP, União dos Movimentos de Moradia de São Paulo, Marcha Mundial de Mulheres, Executiva Municipal do PSOL, Ação da Cidadania, LAC Travessia, Centro Comunitário São Martinho de Lima, Fórum das Pastorais Sociais da Arquidiocese de São Paulo, Pastoral do Povo da Rua, Pastoral do Menor, Pastoral da Moradia, Cáritas Diocesana de São Paulo (entidades até a presente data).

Email:: centrovivo@gmail.com

Matéria publicada no CMI

Jornal Folha de São Paulo prestando um grande (des)serviço à cidade:

SP faz parceria para banir mendigos e camelôs do centro
"Em ano de eleições municipais, a prefeitura, em parceria com o governo do Estado e a iniciativa privada, lança um novo plano de revitalização e ocupação do centro que pretende banir o lixo, a violência, os camelôs, os mendigos e os moradores de rua."

E a resposta do Fórum Centro Vivo à matéria, publicada no jornal no dia 25 de julho:

São Paulo

"A reportagem "SP faz parceria para banir mendigos e camelôs do centro" (caderno Cotidiano, 10/6) equipara pessoas e lixo ao listar "lixo, violência, camelôs, mendigos e moradores de rua" como elementos a serem igualmente "banidos". O texto trata com preconceito e discriminação parte da população paulistana. Freqüente na mídia, essa visão reforça práticas de alguns órgãos públicos (e de seus parceiros privados) de varrer as pessoas do centro como se fossem literalmente lixo. O jornal erra ao não exibir opiniões diferentes às da "Aliança pelo Centro Histórico", ignorando pessoas, movimentos populares e entidades que lutam pelo direito da população de permanecer no centro e transformá-lo em um lugar melhor e mais democrático".

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