Moradores de rua fazem ato público pela humanização do Centro de São Paulo

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Moradores de rua fazem ato público pela humanização do Centro de São Paulo
Por Joelma do Couto [Sexta-Feira, 25 de Julho de 2008 às 17:35hs]
Moradores das ruas da região central da cidade denunciam a violação diária de seus direitos violados. Cobertores são confiscados, jatos de água durante a noite são direcionados às pessoas, documentos e outros pertences são levados pela equipe de limpeza como se fossem lixo.

No dia 3 de julho, Anderson Lopes, do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, acompanhava um grupo de 80 pessoas na Praça da Sé a espera de encaminhamento para albergues da região. Os agentes de proteção declaravam que estavam a espera de liberação de vagas quando a polícia chegou e ordenou que as peruas da Central de Atendimento Permanente à População de Rua (Cape) saíssem da praça. Em seguida, conta Lopes, começaram a bater e jogar spray de pimenta nos olhos de todos que ali estavam.

“Tentei falar com eles, argumentando que aquilo não deveria ser uma ação da polícia, mas sim uma ação social”, declarou Anderson Lopes. A violência se repetiu no dia 4 de julho, no Largo São Francisco, contou o representante do movimento.

“Não somos lixo, estamos cansados de viver no lixo”, declara um morador da região central da cidade. “Queremos uma cidade limpa e justa para todos, temos o direito de viver onde escolhemos, o centro da cidade”, prossegue.

Estes relatos fizeram com que movimentos socias se unissem para exigir que a prefeitura de São Paulo tome providências no sentido de se fazer cumprir a lei 12.316/97. Embora ainda precise de regulamentação, a legislação é fundamental para levar à população em situação de rua a garantia de respeito à dignidade humana e à cidadania.

Um ato foi convocado para esta segunda-feira, 28, a partir das 9h, na praça da Sé, Centro de São Paulo. A ação visa a chamar atenção da sociedade para os muitos problemas enfrentados não só pela população em situação de rua.

A intenção dos organizadores é incluir as pessoas que se solidarizam com moradores de todas as regiões da cidade de São Paulo que sofrem com a especulação imobiliária, ambulantes, bem como catadores de materiais recicláveis, trabalhadores que tentam ganhar a vida com dignidade, dentro do que lhes é possível numa sociedade capitalista e excludente.

A mobilização conta com o apoio da Cáritas Diocesana de São Paulo, União dos Movimentos de Moradias, Fórum das Pastorais Sociais da Arquidiocese de São Paulo e outros.

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