Os inovadores do boom imobiliário

Eles podem até fazer uns prédios legais, mas não estão preocupados com o planejamento do espaço e muito menos nos impactos locais causados por suas obras, na criminalização da pobreza que promovem para poder aplicar seus projetos de "sucesso" na região.

mas é bom para irmos conhecendo quem são eles.
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Edição 16 - Junho de 2008 | 04/06/2008 - 08:43
Os inovadores do boom imobiliário

Quem são e como trabalham os novos protagonistas da indústria da construção que, com técnicas e gestão modernas, estão redesenhando as cidades brasileiras

por Alexandre Teixeira e Gustavo Poloni com reportagem de Darcio Oliveira e Marco Damiani

Pelos padrões da velha economia - e a construção civil dificilmente escapa desse rótulo -, o paulistano José Auriemo Neto é um menino. Aos 32 anos, ele preside a JHSF, incorporadora identificada com os projetos imobiliários mais sofisticados (e caros) de São Paulo. Paulistano, filho do fundador da empresa, Auriemo Neto abandonou o curso de engenharia no quarto ano, trocando de vez a teoria pela prática. Fez de tudo na incorporadora, a começar pelos bicos como office boy nas férias escolares. Tratado pelo apelido Zeco, trabalha na JHSF desde os 17 anos. Assumiu a presidência aos 27. Opera no mercado de luxo, numa espécie de Louis Vuitton dos imóveis, mas mantém distância das colunas sociais. Casado há cinco anos, tem dois filhos e um terceiro a caminho. Trabalha todos os dias em jornadas que se prolongam até as 10 da noite, agora que seu projeto mais inovador começa a virar realidade. Idealizado no formato "três em um", o Parque Cidade Jardim, numa das áreas mais nobres de São Paulo, reúne residências, prédios comerciais e lojas de alto padrão em um empreendimento onde o metro quadrado gira em torno dos R$ 10 mil. Só para comparar: o bairro de Higienópolis, na região central de São Paulo, lidera com folga o ranking do metro quadrado residencial mais caro entre os lançamentos na cidade: R$ 8.311.

Apenas um ano mais velho que Auriemo Neto, Henrique Alves Pinto, presidente da construtora Tenda, parece habitar outra galáxia. Mineiro de Belo Horizonte, vem de uma família de classe média e especializou-se em vender imóveis para consumidores de baixa renda, com prestações a partir de R$ 240. Sua empresa é uma linha de montagem de casas populares. São quatro modelos de habitação, construídos com os mesmos materiais, o que resulta no menor custo de produção do mercado. Alves Pinto comanda a Tenda desde 1994. De lá para cá, transformou a modesta empresa de engenharia do pai numa das maiores construtoras do país, a quinta no ranking de lançamentos em 2007. No percurso, abriu o capital da empresa e importou da AmBev a gestão baseada na meritocracia e na transformação de funcionários em sócios. Solteiro, ex-sócio de colunáveis como Álvaro Garnero e Ricardo Mansur em casas noturnas, até hoje briga para espantar a fama de "baladeiro".

No comando de uma holding que administra cinco empresas e fatura R$ 1,3 bilhão, o empresário Walter Torre Jr., 52 anos, também se destaca na paisagem dos empreendedores de imóveis. Já se vai mais de um quarto de século desde que iniciou seu negócio de construção de armazéns industriais a bordo de um escritório itinerante instalado em um ônibus. A partir desse embrião, a WTorre projetou-se no mercado ao introduzir no Brasil uma tecnologia que possibilita que as paredes de um galpão sejam moldadas em concreto na posição horizontal, içadas por guindastes até ficarem em pé e travadas por um telhado metálico. Em obras dessa modalidade, o custo é menor, a construção é mais rápida e as ampliações tornam-se mais fáceis. Unindo essa inovação tecnológica a um modelo de negócio calcado na construção sob medida e na subseqüente locação dos imóveis, Torre montou um portfólio de clientes do porte de Nestlé, Unilever, Volkswagen, Carrefour, Wal-Mart, Casas Bahia, Vale e Vivo. Recentemente, juntou-se a esse time o sultão Bin Mohamed Al-Qasimi, xeque de Sharjah, emirado árabe vizinho a Dubai, onde a WTorre começa a construir uma cidade em pleno deserto, dedicada ao cultivo de flores e frutas.

Os construtores José Auriemo Neto, Henrique Alves Pinto e Walter Torre Jr. têm estilos marcadamente diferentes. Seus nichos de mercado raramente se cruzam. Mas suas empresas foram igualmente hábeis em encontrar um ramo de atuação próprio e nele se diferenciar da concorrência por meio de inovações tecnológicas e de gestão. Hoje, encontram-se em posição privilegiada para desfrutar da prosperidade impulsionada por um boom imobiliário sem precedentes no país. O mercado brasileiro da construção civil caminha para alcançar um novo patamar, resultado de uma conjunção inédita de alongamento de prazos e redução de juros dos financiamentos, construtoras capitalizadas pela abertura de capital e investimentos estrangeiros.

Até dezembro próximo, as principais incorporadoras terão lançado 250 mil novas unidades residenciais, o que fará de 2008 um ano histórico para a habitação. O aumento da demanda por materiais de construção elevou em 8% o preço da tonelada de aço nos últimos seis meses. A de cimento ficou 7% mais cara. No mesmo período, criaram-se 65 mil empregos na cadeia produtiva, que se estende dos canteiros de obra aos pontos-de-venda de imóveis. Pedreiros, ajudantes e mestres-de-obras tiveram reajustes inéditos de até 35% em seus salários. Corretores de elite disputam prêmios de produtividade que incluem Porsches zero-quilômetro. O crescimento do crédito imobiliário no país avança em um ritmo jamais visto no passado. O volume anual de financiamentos saltou de R$ 2 bilhões, em 2003, para R$ 18 bilhões, no ano passado. E segue em alta. Previsão do Sindicato da Habitação de São Paulo aponta que 230 mil unidades serão financiadas em 2008, 17% a mais do que em 2007. "O mercado entrou na fase do crescimento sustentado", afirma Alberto Du Plessis, vice-presidente da entidade.

Ilustrações_Paola Lopes; Gráficos_Alexandre Affonso

materia completa em:
http://epocanegocios.globo.com/Revista/Epocanegocios/0,,EDG83992-8374-16...

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