22/06/2008 - 10h02
Enquete decide futuro da maior favela de SP
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JORGE SOUFEN JR.
do Agora
Moradores de uma área de risco da favela de Heliópolis, núcleo que abriga cerca de 125 mil habitantes na zona sul de São Paulo, vão responder a uma enquete da prefeitura para tentar resolver um impasse surgido durante a discussão do projeto de urbanização da área, que conta com verbas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal.
Segundo a Unas (União de Núcleos, Associações e Sociedades de Moradores de Heliópolis e São João Clímaco), o projeto original prevê a construção de predinhos em um terreno de 26 mil metros quadrados para abrigar 500 famílias, entre elas 200 que vivem em condições de risco às margens do córrego Independência, que será canalizado.
Casas de alvenaria e de madeira se amontoam sobre e ao lado do córrego --algumas já foram interditadas pela Defesa Civil. Parte dos moradores, porém, não quer morar em apartamentos, mas em casas.
Numa primeira etapa, 59 famílias que moram na área de risco vão responder ao questionário nas próximas terça e quarta-feira, na sede da Unas, das 9h às 16h. A associação pretende ampliar os questionários para saber a opinião de mais moradores em relação à urbanização de outras áreas na favela.
Eles vão escolher entre apartamentos, casas sobrepostas, carta de crédito para morar em outro local ou o "xadrez" (morar na casa de outra pessoa na favela e dar o seu direito de nova moradia a esse proprietário).
O presidente da Unas, João Miranda Neto, afirma que os moradores têm o direito de escolher o tipo de imóvel. "Não vai sair ninguém da beira do córrego enquanto não tiver uma resposta, a não ser para as casas que já estão com risco há muito tempo."
O impasse ocorre porque, se a maioria dos moradores escolher morar em casas, a área onde os novos imóveis serão construídos pode não ser grande o bastante para isso. "Nesse caso, teríamos que chegar a uma solução mista", disse Miranda Neto.
A Secretaria Municipal da Habitação não vê impasse. Segundo o órgão, a escolha faz parte do processo de urbanização de favelas, e todas as decisões são tomadas em conjunto com a população local.
Projetos
O projeto de urbanização não envolve só famílias na área de risco do córrego Independência. No total, cerca de 11 mil famílias serão atendidas com 1.900 novos imóveis, em um investimento de R$ 175,5 milhões (R$ 110,5 milhões do governo federal e R$ 65 milhões da prefeitura).
As intervenções envolvem, ainda, pavimentação de vias, obras de saneamento básico, iluminação pública e áreas de lazer.
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