Em São Paulo, mulheres defendem a legalização do aborto

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Em São Paulo, mulheres defendem a legalização do aborto

No Dia Internacional da Mulher, manifestantes "rebatizam" praça do Patriarca, na capital, como "Praça da Matriarca"

10/03/2008
Tatiana Merlino

da redação
Numa ação simbólica, a Praça do Patriarca, no centro de São Paulo, foi rebatizada como "Praça da Matriarca", no ato de encerramento do Dia Internacional da Mulher, dia 8 de março. "Queremos um mundo sem patriarcas", defenderam as manifestantes.

Uma saia lilás foi colocada na estátua de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), o "patriarca da Independência", enquanto mulheres- e alguns homens- dançavam uma ciranda de mãos dadas. Na base da estátua, as manifestantes fixaram papéis com nomes de feministas e militantes, como Iara Iavelberg, Lélia Abramo , Roseli Nunes, Zuzu Angel, Clara Zetkin, e algumas anônimas, como Beatriz, 30, estuprada na rua enquanto voltava para casa.

Carregando cartazes com escritos como "Essa hipocrisia dá hemorragia", "Se os homens parissem, o aborto seria um direito", cerca de 5 mil mulheres- de acordo com a organização do ato- (cerca e 1.100, para a Polícia Militar) caminharam pelas ruas do centro da cidade para defender a paridade salarial, legalização do aborto, fim da violência doméstica, democratização dos meios de comunicação, e protestar contra as transnacionais, o agronegócio, o latifúndio e os transgênicos.

Reunidas em torno do tema "Mulheres feministas anticapitalistas em luta por igualdade, autonomia e soberania popular!", mulheres de movimentos sociais e feministas como MST, CUT, Fórum Estadual de Mulheres Negras, Marcha Mundial das Mulheres e de partidos políticos como PT, Psol, PCO também defenderam nas faixas, camisetas e bandeiras exibidas no ato, o cumprimento a Lei Maria da Penha. O governador de São Paulo, José Serra, foi duramente criticado pois de acordo com as feministas, vem se negando assinar o Pacto Nacional Pelo Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, lançado em agosto do ano passado pelo governo federal.

"Exigimos que o governador assine o pacto. Serra se recusa a trazer para São Paulo as políticas propostas pelo governo federal Queremos que haja compromisso com as políticas que já conquistamos", disse Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres. Nalu lembrou também que as mulheres continuam ganhando menos que os homens e que ainda são as únicas responsáveis pelo serviço doméstico. Ainda de acordo com a feminista, uma das exigências das mulheres é que o governo reverta a liberação dos transgênicos e combata o latifúndio e a propriedade privada. Tatiana, representante do MST, lembra que "o ato do dia 8 é o início do conjunto de uma série de lutas que irão acontecer ao longo do ano. Seguiremos lutando em defesa da soberania popular".

Outra manifestação marcou o Dia Internacional da Mulher na capital. Na Avenida Paulista, o ato da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) reuniu mulheres em um ato separado, com o tema "Mulheres feministas, anticapitalistas e antigovernistas, lutando contra o machismo, a exploração e pelo socialismo". As manifestantes protestaram contra o aumento no tempo da aposentadoria e a redução de verbas para programas destinados à população feminina.

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