Três homens controlam a área e faturam até R$ 20 mil por dia
Três traficantes que controlam a venda de drogas na Rua Guaianases, na cracolândia, região central da capital, faturam entre R$ 18 mil e R$ 20 mil por dia, ou de R$ 500 mil a R$ 600 mil ao mês. A reportagem, que passou duas noites no local, confirmou a informação com três pessoas que têm acesso aos traficantes, flagrados fazendo a contabilidade e contando sobre os negócios em bares da região.
Na edição de ontem, o Jornal da Tarde mostrou que a classe média compra crack na região. Por trás dos “noias” (usuários), existe um esquema de tráfico organizado não reconhecido pelas polícias Militar e Civil - afirmam existir pequenos vendedores na área, e não um comércio organizado.
A Secretaria de Segurança Pública não comentou os números do tráfico de drogas na cracolândia.
Governo do Estado e Prefeitura organizam uma operação conjunta para combater o crime e dar atendimento aos usuários. Devem ser ocupadas a cracolândia e outras localidades da região central (leia sobre a operação ao lado).
No centro nervoso da cracolândia, são três os traficantes conhecidos pelos moradores das ruas Guaianases e Vitória. Eles usam menores para distribuir a droga.
O mais famoso dos traficantes, chamado de Maurício, põe a família para trabalhar no comércio do crime. É auxiliado pelo filho Diego, de 18 anos, e pelo caçula, de 11 anos, conhecido como Capeta.
O menino atua no comércio das drogas e aterroriza os moradores. A mulher de Maurício, que já cuidou de um laboratório de crack em um hotel da região, e o filho mais velho estão presos. Diego e Capeta não são usuários de crack. Durante toda a noite e a madrugada, podem ser encontrados no ponto de venda da droga supervisionando o trabalho dos vendedores. A atuação deles foi acompanhada pelo JT.
Enquanto trabalha, Capeta também aproveita para se divertir: ameaça colocar fogo nos carros que trafegam pela rua e não compram drogas. Também aponta as mãos para os motoristas como se estivesse com uma arma. “Esse menino é nosso inferno. Ele nos ameaça de morte. Ficamos imaginando quando crescer”, diz um morador da região.
Maurício esteve preso por assalto. “Era um ladrão pé de chinelo aqui no bairro, mas saiu da prisão por cima e começou a vender droga. Desde que saiu em liberdade, passou a falar que integra o PCC ( a facção criminosa Primeiro Comando da Capital)”, conta um conhecido do traficante, que diz fazer a política da boa vizinhança. O traficante evita aparecer. Segundo conhecidos, vive na Avenida Rio Branco, perto dali.
Outro traficante que acompanha de perto as vendas de drogas é Bola Sete, que passou a madrugada da última sexta-feira na Rua Guaianases. Quando não conversava com os garotos que vendiam a droga, estava com meninas que trabalham para o tráfico.
Jornal da Tarde, 22/07/09
MARICI CAPITELLI, marici.capitelli@grupoestado.com.br
http://www.jt.com.br/editorias/2009/07/22/ger-1.94.4.20090722.8.1.xml
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Crack na classe média
Sou estudante universitário, tenho 24 anos, classe média alta e fui viciado em CRACK por três anos. Vivi toda essa realidade que se tem mostrado atualmente, conheço muito bem o crack. O crack não é mais uma droga de pobre, isso acabou faz tempo. Eu fumava de 10 a 15 pedras ao dia. Perdi muito por causa do crack, por pouco não me tornei um mendigo. Depois de 3 dias acordado, sem comer e muito menos banho (eu fedia), eu me olhei no espelho e vi o que eu havia me tornado.
Decidi, naquele momento, que tinha que parar e que só dependeria de mim. Como ha 7 anos me mudei da cidade onde meus pais moram e eu os visito muito pouco, eles nunca souberam do vício. Acho que eles desconfiavam, mas… de forma geral, minha família nunca soube. Apenas alguns amigo próximos tinham conhecimento do que acontecia. Acho que isso acabaria com minha família.
Por isso, nunca procurei ajuda. Isso sempre foi segredo, pelo menos na minha cabeça. Quando decidi parar, eu sabia que teria que ser sozinho, somente com muita força de vontade. Consegui me livrar sozinho. Hoje me sinto ótimo e não tenho mais vontade. Claro que penso e me lembro, mas a vontade de viver é maior. Acho que só depende de buscar uma motivação interior capaz de nos fazer superar o crack. Todos podemos.
O que acho engraçado nisso tudo é que o crack atingiu enormes proporções pelo país. O Estado de São Paulo é o maior consumidor e só agora se preocupam com a cracolândia. E o resto do país? O Rio Grande do Sul enfrenta uma epidemia da droga. Só não tem crack no Amazonas! E o resto do país. Temos que abrir os olhos porque o problema do crack não é só mais dos pobres, é da classe média também. E a é a classe que tem poder aquisitivo muito mais alto. Quanto dinheiro isso levará ao tráfico? E de quanto será o rombo nos cofres públicos com tratamentos e campanhas que pouco funcionam?
Me senti preso nesse mundo, por 3 incontáveis anos, que se passaram como o vento! Hoje tento mostrar a realidade do crack a todos em meu blog. Tem minha história e mais muita coisa sobre o crack, o vício, muitos conselhos e principalmente como me livrei da droga. Hoje estou sem o crack ha 50 dias. Somente uma sociedade unida poderá vencer essa droga. Ela tem o poder de destruir tudo!
Visitem e me conheçam melhor:
http://www.cracknuncamais.blogspot.com